10 de fevereiro de 2014

Amo-te

O cara bradou
Meu cigarro apagou
A conversa parou
O papo se esgotou

Todos param
Gritam
Espernearam
Beberam
E não meteram

Foram as ruas
Aos prantos
Desvairados
Alucinados

Política maluca
Minha princesa,
Amo-te

O casamento é uma propriedade privada

Nascemos
Crescemos
Questionamos
Bebemos
Fumamos
Amamos
Casamos

O casamento
É uma propriedade privada
A sociedade
Trata-o como uma
Bancada de negócios

Ninguém pensa
Questionar virou
Coisa de ‘careta’

Todos apagaram seus cigarros
A última dose de uísque
Desceu pela garganta

A felicidade
Ganhou todos os espaços
Da minha mente
Imaculada,
Dramatizada

Mas eu preciso
Sair da gaiola
Beijar outras bocas
Meter em outras vaginas
Conversar com pessoas estranhas
Sobre a política petista

As horas passaram
Meu cigarro apagou
Ninguém conversou

O mundo pirou

27 de janeiro de 2014

Meu gato

Meu gato
Senta por aí
Lambe seu cu
Descompromissado

Dorme,
Come,
Ronrona,
Me acalma

Meu felino
Amigo
Narcisista

Piá
Levanta sua barriga
Pra eu acarinhá-la


23 de janeiro de 2014

Soneto noturno

À noite bebo
Trepo
Fumo
Escrevo

Não tenho preocupações
Tudo se resolve
Ou deveria
Ao menos se resolver

Migalhas
Mentiras
Mentes

Mentiroso,
Quem?

O poeta, que fechou o livro.

Marcus Vinícius 

8 de janeiro de 2014

Apenas um cigarro

alguns gritam por respeito
outros querem apenas
um cigarro,
ou um belo trago de vinho

as vezes procurar
solução nos livros não adianta,
fugir da teoria faz-se necessário.

todo homem precisa
da mesa do bar,
das conversas boemia,
dos papos "insanos".

homens:
seres desvairados

os idiotas levantam cedo
enquanto os inteligentes
bebem álcool
na madrugada,
como se os minutos
estivessem contados.

todos dizem que pensam
mas pensar é um problema.

talvez o mundo seja maluco,
ou eu esteja bebendo demais
àquele álcool
que não é a tua saliva.


 Marcus Vinícius Beck

 

7 de janeiro de 2014

Revista Rolling Stone



Por volta das 6 horas da tarde, encontrava-me degustando meu café, acompanhado por um cigarro, quando avistei uma verdadeira preciosidade musical. Tratava-se de uma revista – edição limitada- da vida e obra do mítico Bob Dylan. Era a Rolling Stone. Meu coração instantaneamente entrou em transe. Somente os amantes desse maluco gênero musical, sabem o que é o rock and roll. Eles entendem o que sente quando se vê algo tão raro e ao mesmo tempo, tão genial e marcante como tal publicação.

Minha retina ficara hipnotizada. Não havia sequer um único tostão em meus bolsos. Entretanto havia a vontade de adquirir um verdadeiro item de colecionador. Bob Dylan representa algo supremo dentro da musica de protesto dos anos 60. Suas letras poéticas ainda colocam muita cabeça para funcionar. Para mim nem se fala, Dylan fora imortalizado no épico Higway 61 de 1965 – clássico da música contemporânea.

Sentia o cheiro das páginas brancas, novas. Elas eram superiores a todas as publicações que havia no local. Folhar as páginas constituía-se uma emoção indescritível. Apenas os roqueiros de plantão se identificarão com a descrição citada.

Tentei relutar. Procurei agir com clareza e racionalidade. Não possuía nem um mísero centavo, como iria levar a mítica revista de Dylan? Havia apenas uma hipótese. Alguns julgam como incorreto, símbolo de vagabundagem e coisas do gênero. Eu julgava como sendo nada demais. E realmente, pegá-la comigo e levá-la embora sem pagar, não era assim um descalabro social exorbitante. Quem nunca fez isso com um livro que o contagiou e posteriormente quando chegou o momento de devolvê-lo, preferiu omitir a devolução.

Jamais uma obra de arte pode ser demasiadamente racional. A literatura é isso, a música idem. Ao invés de devolvermos e posteriormente algum assassino dos bens culturais depredar o patrimônio artístico, é preferível que cuidemos nós, meros amantes da arte.

Marcus Vinícius Beck

Devaneios

Entre lágrimas e suspiros
Devaneios e desatinos,
Você passa por mim
Ascendo um cigarro.

Meu coração se acelera
Minhas mãos ficam suadas,
Bebo um gole de cerveja.

Nada é como imaginamos
Fazemos planos, 
Para depois nos lamentarmos
Na frente da televisão
Em uma tarde,
Transbordando vida.

 Abro o livro
As palavras me olham
Eu as olho, 
Conversamos e depois filosofamos
Na mesa do bar.

Marcus Vinícius Beck